Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

A Perfeita Liberdade de Espírito

Um espírito que toma consciência da discordância que sempre existe entre o que afirma e o que é verdadeiramente não pode mais desfazer-se de uma espécie de dúvida filosófica. Somos livres na medida em que conservamos um pensamento de fundo. Em todos os casos, a perfeita liberdade de espírito consiste num acto pelo qual ele compreende a absoluta impossibilidade em que está de encontrar a certeza na experiência.
Jules Lagneau, in 'Curso Sobre o Juízo'


enviada por antonio01 às 22:41
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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Incoerência Humana

É fácil imaginar os homens inteiriços, reduzi-los a fórmulas simples que se condenam com uma palavra, negligenciando o resto, que as desmente; o mais difícil seria sair de si para entrar nos outros e julgá-los segundo o ponto de vista deles, sem preconceitos, acompanhar nos seus desvios e nas suas incoerências uma natureza incerta feita mais pelo acaso do que pela vontade, desenredar, quando falha a lógica, os sofismas semiconscientes sob os quais a paixão dissimula o egoísmo dos seus conselhos.
Jules Lagneau, in 'Discurso de Senso Comum'


enviada por antonio01 às 23:26
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

O Erro da Percepção

É próprio do erro poder ser refutado pela experiência e pelo raciocínio. As ilusões dos sentidos não podem ser refutadas assim; são apenas maneiras de perceber que não são normais. Aliás, mesmo as maneiras normais de perceber são ilusões; toda a percepção é, em suma, uma ilusão.
Jules Lagneau, in 'Carta Sobre a Percepção'


enviada por antonio01 às 22:51
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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

A Compaixão como Prevenção

A compaixão é frequentemente um sentimento dos nossos males nos males dos outros. É uma hábil antevisão dos infortúnios em que podemos cair. Damos auxílio aos outros para levá-los a nos dar outro tanto em ocasiões semelhantes; e os serviços que lhes prestamos são, para dizer a verdade, bens que fazemos a nós mesmos de antemão.

La Rochefoucauld, in "Reflexões"


enviada por antonio01 às 22:49
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

O Encanto de quem nos Conhece há pouco Tempo

O que nos leva a amar as novas pessoas que conhecemos é menos o cansaço que temos das velhas ou o prazer de mudar, do que o desgosto de não sermos bastante admirados pelos que nos conhecem demais e a esperança de sê-lo mais pelos que não nos conhecem tanto.
La Rochefoucauld, in 'Reflexões'


enviada por antonio01 às 23:30
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

O Que Une os Homens?

Os homens têm tanta dificuldade para se aproximar quando tratam de negócios, são tão espinhosos quanto aos menores interesses, tão eriçados de dificuldades, querem tanto enganar e tão pouco ser enganados, dão tanto valor ao que lhes pertence e tão pouco valor ao que pertence aos outros, que confesso que não sei por onde e como conseguem concluir casamentos, contratos, aquisições, a paz, a trégua, os tratados, as alianças.
Jean de La Bruyére, in 'Do Homem'


enviada por antonio01 às 22:39
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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014

Ignorância Atrevida

É a ignorância profunda que inspira o tom dogmático. Aquele que nada sabe pensa ensinar aos outros o que acaba de aprender; aquele que sabe muito mal chega a pensar que o que diz possa ser ignorado, e fala com maior indiferença. As maiores coisas só precisam de ser ditas de forma simples; elas estragam-se com a ênfase: é preciso dizer nobremente as pequenas; elas só se sustentam pela expressão, pelo tom e pela maneira.
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"


enviada por antonio01 às 23:02
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

O Espírito da Conversação

Há pessoas que falam um momento antes de pensar; há outras que prestam fraca atenção ao que dizem, e com as quais sofremos, na conversação, todo o trabalho que a sua inteligência tem; estão como amassados de frases e jeitos de expressão, concertados nos gestos e em toda a sua atitude.


O espírito da conversação consiste muito menos em mostrar muito espírito que em fazer com que os outros o achem: quem sai de uma palestra contente consigo mesmo e com o seu espírito, sai perfeitamente contente com o orador. Os homens não gostam de admirar; querem agradar: procuram menos ser instruídos, e mesmo satisfeitos, que serem apreciados e aplaudidos; e o prazer mais delicado que há é o de causar o dos outros.
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"


enviada por antonio01 às 22:45
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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

A Filosofia é Essencial para Compreender a Vida

Bem longe de se assustar ou mesmo de enrubescer com o nome de filósofo, não existe ninguém no mundo que não devesse possuir fortes laivos de filosofia. Ela convém a todos; a sua prática é útil em todas as idades, para todos os sexos e para todas as condições: ela consola-nos da felicidade do outro, das preferências indignas, dos fracassos, do declínio das nossas forças ou da nossa beleza; arma-nos contra a pobreza, a velhice, a doença e a morte, contra os tolos e os maus zombeteiros; faz-nos viver sem uma mulher ou faz-nos suportar aquela com quem vivemos!
Jean de La Bruyére, in 'Do Homem'


enviada por antonio01 às 22:51
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Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

Saber Esperar

Quem sabe esperar o bem que deseja não toma a decisão de se desesperar se ele não chega; aquele que, pelo contrário, deseja uma coisa com grande impaciência, põe nisso demasiado de si mesmo para que o sucesso seja recompensa suficiente. Há pessoas que querem tão ardente e determinantemente certa coisa, que por medo de perdê-la, não esquecem nada do que é preciso fazer para perdê-la. As coisas mais desejadas não acontecem; ou se acontecem, não é no tempo nem nas circunstâncias em que teriam causado extraordinário prazer.
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"


enviada por antonio01 às 22:35
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Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013

Na Sociedade é a Razão a Primeira a Ser Vencida

Na sociedade é a razão a primeira a ser vencida. Os mais ajuizados são frequentemente dirigidos pelo mais louco e extravagante: estuda-se o seu ponto fraco, o seu humor, os seus caprichos; acomoda-se a ele; evita-se feri-lo; todo o mundo cede a ele: a menor serenidade que aparece na sua fisionomia basta para lhe atrair elogios; acham-no óptimo por não ser sempre insuportável. É temido, considerado, obedecido, e às vezes amado. Só aqueles que tiveram velhos parentes colaterais, ou que os têm ainda, dos quais se espera herdar, podem dizer o que isso custa.
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"


enviada por antonio01 às 23:26
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